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Terceira Guerra Mundial...

Durante décadas, a ideia de uma Terceira Guerra Mundial parecia algo reservado aos filmes ou às previsões apocalípticas de analistas geopolíticos mais pessimistas. Afinal, depois de duas guerras mundiais devastadoras e da tensão permanente da Guerra Fria , imaginou-se que a humanidade teria aprendido algo. Criamos organizações internacionais, tratados nucleares, conferências diplomáticas e discursos inflamados sobre paz global. Em teoria, tudo muito civilizado. Na prática, continuamos bastante parecidos com nossos antepassados que resolviam disputas territoriais com canhões. Para entender o presente, vale lembrar como começaram as duas grandes tragédias do século XX. A Primeira Guerra Mundial não começou com um grande plano de dominação global. Ela começou com um assassinato político em Sarajevo , seguido por uma cadeia quase automática de alianças militares, orgulho nacional e decisões precipitadas. Em poucas semanas, potências europeias estavam mobilizando milhões de soldados par...
Postagens recentes

O que será, que será?

   Há uma curiosa contradição na economia brasileira contemporânea: o país possui enorme potencial produtivo, abundância de recursos naturais e um mercado interno expressivo, mas frequentemente convive com ciclos recorrentes de estagnação, endividamento público elevado e baixa capacidade de crescimento sustentado. Essa tensão entre potencial e desempenho real tornou-se um dos traços mais marcantes da história econômica nacional.    Parte do problema reside em um modelo estrutural que, ao longo das décadas, ampliou o peso do Estado sem resolver as ineficiências históricas da administração pública. O resultado costuma ser um sistema tributário complexo, uma burocracia extensa e um ambiente de negócios que muitas vezes desestimula a inovação e o investimento produtivo. Nesse cenário, setores fundamentais da economia enfrentam dificuldades para competir internacionalmente, enquanto o crescimento se torna irregular e dependente de conjunturas externas.    Ao mes...

Coexistência?

  A convivência entre religiões, será???, esse assunto tornou-se um dos grandes temas da modernidade tardia. Em um mundo globalizado, marcado por migrações, redes digitais e interdependência econômica, tradições espirituais milenares passaram a compartilhar o mesmo espaço público com intensidade inédita. Nesse contexto, surgiu e se fortaleceu o ideal da “coexistência”: a proposta de que crenças distintas possam viver lado a lado, em respeito mútuo, sem perseguição e sem hegemonia violenta. Esse movimento nasce de motivações compreensíveis. Depois das guerras religiosas europeias, dos totalitarismos do século XX e dos conflitos contemporâneos de matriz identitária, tornou-se evidente que a instrumentalização política da fé gera tragédias. A defesa da liberdade religiosa, consagrada em diversas constituições modernas, não é apenas um arranjo jurídico, mas uma conquista civilizatória. Ela parte do reconhecimento de que a consciência humana não pode ser coagida. A adesão à verdade — ...

Antes e depois das federais...

 A crise nas universidades brasileiras não é apenas orçamentária; é também intelectual e cultural. O debate sobre financiamento revela um impasse estrutural: instituições dependentes do Estado, pressionadas por contingenciamentos e, ao mesmo tempo, pouco abertas à revisão de seus próprios modelos de gestão. A discussão, porém, vai além da escassez de recursos. Ela toca na identidade da universidade. Nas últimas décadas, ampliou-se a percepção de que parte do ambiente acadêmico se afastou da pluralidade e passou a reproduzir consensos ideológicos quase homogêneos. Isso levanta a questão sensível da liberdade acadêmica: ela está garantida para todos os espectros de pensamento ou apenas para determinadas correntes? Quando a crítica se transforma em ativismo permanente, corre-se o risco de substituir o debate pelo engajamento automático. Culturalmente, a universidade sempre foi espaço de formação — lugar de confronto de ideias, rigor metodológico e busca pela verdade. Quando se conv...

AS 7 FACES OF LULA

Se o velho cartaz anunciava “sete faces”, o Brasil resolveu produzir a versão tropical: as sete encarnações de Luiz Inácio Lula da Silva, o homem que nunca é apenas um — é sempre vários, dependendo da plateia, da conjuntura e da taxa Selic. Primeira face: o Sindicalista. Surge no chão da fábrica, voz rouca, punho erguido, discurso inflamado. Fala contra o sistema — mas com uma habilidade notável de, anos depois, negociar com ele tomando café no Planalto. Segunda face: o Fundador do PT. Ajuda a criar o Partido dos Trabalhadores, prometendo pureza ideológica, ética inquebrantável e um mundo novo. Como todo projeto humano, descobriu que a realidade tem boletos. Terceira face: o "Moderado" da Carta. Em 2002, escreve a célebre carta ao mercado. O leão vira gato doméstico. O discurso anti-banco vira “responsabilidade fiscal”. A revolução tira o paletó amarrotado e veste terno italiano. Quarta face: o Pai dos Pobres. Com programas sociais ampliados e crescimento econ...

A GUERRA SEM FIM...

  A Guerra da Ucrânia caminha para se tornar aquilo que todo conflito prolongado vira: menos épico do que os discursos prometiam e mais caro do que os orçamentos suportam. No início, vendia-se a ideia de uma operação rápida; do outro lado, falava-se em vitória moral inevitável. Dois anos depois, a realidade resolveu votar — e ela costuma ser conservadora com ilusões. Do ponto de vista de centro-direita, há algumas projeções bastante claras. Primeiro: guerras longas fortalecem Estados e enfraquecem sociedades. O Leviatã engorda, o contribuinte emagrece. A Europa redescobriu que paz não é política pública automática; depende de energia, indústria e defesa — três coisas que foram terceirizadas à boa vontade alheia. De repente, soberania voltou à moda. Curioso como o realismo geopolítico sempre acaba ressuscitando quando a conta do gás chega. Segundo: a Rússia dificilmente será “derrotada” no sentido clássico. Potências nucleares não assinam rendições humilhantes; negociam impasses...

Devilstein

 Chamavam-no de financista, filantropo, homem bem relacionado. Mas o nome que ecoou depois foi outro: Jeffrey Epstein — o anfitrião de uma corte peculiar onde milionários, acadêmicos e celebridades circulavam como se estivessem num congresso sobre “o futuro da humanidade”. O futuro, ao que parece, tinha ilha privada. Durante anos, Devilstein construiu a imagem do homem brilhante que “conectava pessoas importantes”. Conectava mesmo. Em jatinhos particulares, em mansões discretas, em agendas que misturavam ciência, política e algo bem menos nobre. Em 2008, um acordo judicial generoso demais lhe deu uma temporada curta atrás das grades — quase um retiro espiritual com horário reduzido. Mas o diabo mora nos detalhes, e os detalhes voltaram em 2019. Nova prisão, novas acusações de tráfico sexual de menores, e uma lista de contatos que faria qualquer assessor de imprensa suar frio. A narrativa prometia capítulos explosivos. Só que, antes do clímax, veio o anticlímax: encontrado morto...

O mundo em revista...

  Em um mundo pós-moderno marcado pela fragmentação de valores, pela aceleração tecnológica e por crises morais, políticas e espirituais, a cultura clássica e os fundamentos conservadores tornam-se não um peso do passado, mas um eixo de orientação. A tradição clássica — da filosofia grega ao direito romano, da herança cristã às grandes obras literárias — oferece critérios de verdade, beleza e bem que resistem ao relativismo contemporâneo. O conservadorismo, longe de ser mera resistência à mudança, é a consciência de que nem tudo pode ser reinventado sem perdas irreparáveis. Ele reconhece a experiência acumulada da civilização como um patrimônio a ser preservado, criticamente atualizado e transmitido. Em tempos de crise, sociedades não sobrevivem apenas com inovação, mas com raízes. A cultura clássica forma o caráter, disciplina o pensamento e humaniza a técnica. Sem fundamentos sólidos, a liberdade se dissolve em arbitrariedade; com eles, torna-se responsabilidade, ordem e continui...

Algo novo surge no Firmamento...

  No Brasil, que copia em grande medida ideias um tanto antiquadas do tal primeira mundo, há um curioso hábito em certos círculos progressistas: o de tratar a inteligência como se fosse um clube exclusivo, com carteirinha ideológica e senha atualizada. Quem não repete os jargões da semana corre o risco de ser visto como atrasado, obscurantista ou, no mínimo, “problemático”. Conservadores, católicos e amantes dos clássicos costumam entrar nessa história como personagens secundários, quase figurantes de um filme em preto e branco. O detalhe engraçado é que muitos desses “não inteligentes” seguem lendo Aristóteles, Agostinho, Tomás de Aquino, Burke ou Tocqueville — autores que ajudaram a fundar a própria ideia de razão crítica. O classicismo, por exemplo, exige disciplina intelectual; o catolicismo, séculos de reflexão filosófica; o conservadorismo, atenção às consequências reais das ideias. Talvez o problema não seja falta de inteligência, mas excesso de pressa em parecer moderno. No...

Pensando o Brasil Profundo...

  O Brasil carece de uma revista cultural que pense com a cabeça e o coração do povo brasileiro. Uma publicação que não trate o leitor como massa de manobra, mas como alguém capaz de refletir, discordar e aprender. Em tempos de ruído, polarização vazia e superficialidade, torna-se urgente um espaço que una inteligência e clareza, tradição e atualidade, profundidade e acessibilidade. Uma revista que fale de ideias sem pedantismo, de história sem ideologia cega, de cultura sem desprezo pelo gosto popular. Que apresente reflexões sólidas, informações bem apuradas e entretenimento de qualidade, sem abrir mão do rigor intelectual. O Brasil é plural, criativo, contraditório e profundo — e merece uma revista que respeite essa complexidade, estimulando o pensamento crítico, o diálogo honesto e o amor pelo conhecimento. Uma revista feita para quem quer entender melhor o mundo sem abandonar suas raízes. REVISTA FIRMAMENTO #conhecimento   #cultura #revista #revistafirmamento

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