No Brasil, que copia em grande medida ideias um tanto antiquadas do tal primeira mundo, há um curioso hábito em certos círculos progressistas: o de tratar a inteligência como se fosse um clube exclusivo, com carteirinha ideológica e senha atualizada. Quem não repete os jargões da semana corre o risco de ser visto como atrasado, obscurantista ou, no mínimo, “problemático”. Conservadores, católicos e amantes dos clássicos costumam entrar nessa história como personagens secundários, quase figurantes de um filme em preto e branco. O detalhe engraçado é que muitos desses “não inteligentes” seguem lendo Aristóteles, Agostinho, Tomás de Aquino, Burke ou Tocqueville — autores que ajudaram a fundar a própria ideia de razão crítica. O classicismo, por exemplo, exige disciplina intelectual; o catolicismo, séculos de reflexão filosófica; o conservadorismo, atenção às consequências reais das ideias. Talvez o problema não seja falta de inteligência, mas excesso de pressa em parecer moderno. No...
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