A Guerra da Ucrânia caminha para se tornar aquilo que todo conflito prolongado vira: menos épico do que os discursos prometiam e mais caro do que os orçamentos suportam. No início, vendia-se a ideia de uma operação rápida; do outro lado, falava-se em vitória moral inevitável. Dois anos depois, a realidade resolveu votar — e ela costuma ser conservadora com ilusões.
Do ponto de vista de centro-direita, há algumas projeções bastante
claras. Primeiro: guerras longas fortalecem Estados e enfraquecem sociedades. O
Leviatã engorda, o contribuinte emagrece. A Europa redescobriu que paz não é
política pública automática; depende de energia, indústria e defesa — três
coisas que foram terceirizadas à boa vontade alheia. De repente, soberania
voltou à moda. Curioso como o realismo geopolítico sempre acaba ressuscitando
quando a conta do gás chega.
Segundo: a Rússia dificilmente será “derrotada” no sentido
clássico. Potências nucleares não assinam rendições humilhantes; negociam
impasses. A Ucrânia, por sua vez, dificilmente aceitará qualquer acordo que
pareça capitulação. Resultado provável? Conflito congelado, fronteiras
disputadas, gerações marcadas — e especialistas de televisão explicando que
tudo estava “dentro do esperado”.
Terceiro: os Estados Unidos continuarão apoiando, mas com cálculo
eleitoral. Democracias também fazem contas. Ajuda militar é apresentada como
defesa da liberdade; na planilha, é investimento estratégico para conter
adversários. Idealismo no discurso, realismo na logística.
Quarto: a reconstrução será o novo campo de batalha. Empresas,
fundos, organismos multilaterais — todos falarão em solidariedade, desde que
acompanhada de contratos robustos. A guerra destrói cidades; a paz reconstrói
balanços.
A ironia maior é que, enquanto líderes falam em valores
universais, quem paga são jovens concretos. A guerra é travada por soldados; é
sustentada por contribuintes; é narrada por influencers geopolíticos. No fim,
talvez o desfecho mais plausível seja aquele que ninguém aplaude: um acordo
imperfeito, vendido como vitória moral por ambos os lados. Porque, na política
internacional, perder menos já costuma ser apresentado como triunfo histórico.
E assim seguimos: sanções que não derrubam, ofensivas que não
decidem, discursos que inflamam. A guerra continua — e a prudência, velha
virtude burguesa, segue sendo a mais revolucionária das posições.

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